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Letra inicial:
Boaventura da Silva Filho, (O) Louco
Fonte: VALLADARES, 1976, p 47.

Escultor baiano, atuante entre o final dos anos 1960 e início dos anos 1990, na cidade de Cachoeira, BA, sendo considerado, iniciador de uma “escola de escultores”, que tem se dedicado à temática religiosa, atravessando três gerações.

Boaventura da Silva Filho, Louco - Santa Ceia.
Escultura em madeira, exposta no II World Black and African Festival of Arts and Culture (II FESTAC), em Lago (Nigéria), em 1977. Fonte: VALLADARES, 1976, p. 49.
Boaventura da Silva Filho, Louco - Santa Ceia (detalhe de apóstolo, à esquerda, e Cristo, à direita).
Escultura em madeira. h = 16 cm; l = 84 cm. Exposta na mostra “Cidade Histórica: uma Cachoeira de Emoções. Galeria Abdias - Instituto Mauá (Salvador - BA), de 10 a 24 set. 2009. (Foto: S. Pêpe, 2009).
Boaventura da Silva Filho, Louco - São Cosme e São Damião ou Erês (detalhe).
Escultura em madeira. Coleção particular (Cachoeira - BA). (Foto: S. Pêpe, 2012).
Boaventura da Silva Filho, Louco - Pilão.
Objeto de madeira esculpida, com representação de Obaluaiê. Coleção J. Cardoso. Alecrim (Cachoeira, BA). (Foto: S. Pêpe, 2008).
Boaventura da Silva Filho, Louco - Oxumaré (detalhe).
Escultura em madeira assinada e datada. 1987. Ateliê de Louco Filho (Cachoeira, BA). (Foto: S. Pêpe, 2010).
Boaventura da Silva Filho, Louco - São Nicoddemo (detalhe).
Escultura em madeira. h = 1,47. Datada: 4/7/80. Ateliê de Louco Filho (Cachoeira, BA). (Foto: S. Pêpe, 2010).
Boaventura da Silva Filho, Louco - Obá (detalhe)
Escultura em madeira. h = 230 cm. Ateliê de Louco Filho (Cachoeira, BA). (Foto: S.Pêpe, 2008)\n
Boaventura da Silva Filho, Louco - Santa Ceia.
Escultura em madeira, exposta no II World Black and African Festival of Arts and Culture (II FESTAC), em Lago (Nigéria), em 1977. Fonte: VALLADARES, 1976, p. 49.
Boaventura da Silva Filho, Louco - Santa Ceia (detalhe de apóstolo, à esquerda, e Cristo, à direita).
Escultura em madeira. h = 16 cm; l = 84 cm. Exposta na mostra “Cidade Histórica: uma Cachoeira de Emoções. Galeria Abdias - Instituto Mauá (Salvador - BA), de 10 a 24 set. 2009. (Foto: S. Pêpe, 2009).
Boaventura da Silva Filho, Louco - São Cosme e São Damião ou Erês (detalhe).
Escultura em madeira. Coleção particular (Cachoeira - BA). (Foto: S. Pêpe, 2012).
Boaventura da Silva Filho, Louco - Pilão.
Objeto de madeira esculpida, com representação de Obaluaiê. Coleção J. Cardoso. Alecrim (Cachoeira, BA). (Foto: S. Pêpe, 2008).
Boaventura da Silva Filho, Louco - Oxumaré (detalhe).
Escultura em madeira assinada e datada. 1987. Ateliê de Louco Filho (Cachoeira, BA). (Foto: S. Pêpe, 2010).
Boaventura da Silva Filho, Louco - São Nicoddemo (detalhe).
Escultura em madeira. h = 1,47. Datada: 4/7/80. Ateliê de Louco Filho (Cachoeira, BA). (Foto: S. Pêpe, 2010).
Boaventura da Silva Filho, Louco - Obá (detalhe)
Escultura em madeira. h = 230 cm. Ateliê de Louco Filho (Cachoeira, BA). (Foto: S.Pêpe, 2008)\n
Referências

(Itaberaba, Bahia, Brasil, 7 de novembro de 1929 – Cachoeira, Bahia, Brasil, 26 de janeiro de 1992)

 
Retrato do artista Louco, detalhe extraído de fotografia publicada em: VALLADARES, 1976, p. 47.

Retrato do artista Louco. Detalhe extraído de fotografia publicada em: VALLADARES, 1976, p. 47.

Formação: 

Artista autodidata.

Período de atividade: 

Meados dos anos 1960 – Cerca de 1990.

Principais especialidades: 

Escultura em madeira.

Outras atividades:

Comerciante, barbeiro.

Assinatura:

                DIC ART VIS MANUEL QUERINO_2_ Assinatura Cosme e Damião 1978 F 26 09 2012

Dados biográficos:

Boaventura da Silva Filho nasceu em Itaberaba, cidade da Chapada Diamantina, em 1929. A sua família transferiu-se para Cachoeira nos anos 1930 ou 1940. Boaventura começou a esculpir nos anos 1960 junto com seu irmão Clóvis Cardoso da Silva. Eles trabalhavam como barbeiros e, enquanto esperavam seus clientes para cortar cabelo, começaram a fazer pequenos cachimbos em “cascas de cajá”, aos quais foram acrescentando rostos (SILVA, 2008) e retratando, em miniatura, personagens e cenas, como jogos de futebol que mobilizavam a cidade (NASCIMENTO, 2011). Passaram a transformar raízes, pedaços de madeira abandonados provenientes de construções em ruínas em trabalhos de grande plasticidade.

Ainda nos anos 1960, Boaventura foi apelidado de Louco por freiras de um colégio tradicional da cidade de Cachoeira que, ao passar por perto da barbearia de Boaventura e Clóvis e ver aqueles trabalhos pouco convencionais, expostos na janela, diziam às crianças: “Isso é trabalho de louco”, e assim ele começou a ser chamado por outras pessoas da cidade (SILVA, 2008; ARAÚJO, 2008). Na mesma década, Boaventura decidiu levar as suas peças para tentar vendê-las no Mercado Modelo (Salvador), onde conheceu Carlos da Silva Teixeira, comerciante que passou a viajar, com frequência, a Muritiba, cidade perto de Cachoeira – onde o escultor residia com sua esposa Alice Gama das Neves e seus filhos –, a fim de buscar as peças de Louco para revender no Mercado (SILVA, 2006 apud MENDONÇA, 2011, p. 120). Carlos Teixeira aconselhou-lhe a assinar o nome “Louco”, que estava sendo bem aceito pelo público (SANTOS, 2011; SILVA, 2006 apud MENDONÇA, 2011, p. 123). A partir de então, seu irmão Clóvis adotou o cognome Maluco e seu sobrinho José Cardoso Araújo passou a assinar Doidão (SANTOS, 2011).

A produção de Louco aconteceu no contexto multicultural do Recôncavo, onde predominam as culturas religiosas de matrizes africana e católica que disputaram por espaço através de processos de repulsa e de confluência ao longo dos séculos. Batuques, procissões e festas organizadas por irmandades católicas e em terreiros de candomblé, assim como cultos domésticos, fazem parte do dia-a-dia da vida de muitas pessoas da cidade.

É do imaginário coletivo e individual que provém a iconografia da obra de Louco, que esculpiu imagens de Cristo, Santa Ceia, orixás (Exu, Oxalá, Iemanjá, Oxumaré, Obaluaiê etc.), ogãs tocadores de atabaques, adorações, carrancas e outras figuras fantásticas. Segundo Frota (2010, p. 313): “[surge] uma veemente galeria de personagens sobrenaturais, que se distribuem entre a iconografia católica e afro-baiana”.

As adaptações das formas ao suporte, que pode chegar a mais de três metros, levaram Lélia Coêlho Frota (2010, p. 313) a comparar as composições do escultor com a escultura românica espanhola e com produções africanas, por fugirem ao realismo das proporções da figura humana. O que se destaca é o arranjo das formas, que surgem no suporte de modo inesperado. Além de esculturas, fez móveis de madeira decorados, que eram vendidos por antiquários locais, pois também são trabalhados com signos visuais.

Nas figuras humanas criadas pelo escultor, sobretudo nos anos 1970, predominam figuras com olhos horizontalmente rasgados, quase fechados, nariz fino e longo, e cabelos escamados ou estriados. Essas características são acompanhadas das livres proporções dos corpos. Louco passou a esculpir figuras de olhos esbugalhados, que marcam diversos trabalhos que realizou nos anos 1980, dando vazão a sua criatividade.

São exemplos da sua originalidade duas peças conservadas no Ateliê de Louco Filho. A primeira intitula-se Obá (rei em ioruba), antropomorfo (homem-crocodilo) de braços abertos, e São Nicodemo, esculpido com órgão sexual avantajado, como tradicionais representações de Exu. Também é significativa a imagem de Cristo, que aparece na publicação Artistas da Escultura Brasileira (1986, p.145). Nessa peça de Louco, cabelo e barba formam uma máscara escamada, abrindo espaço para aproximações, por parte do público, com a arte de outros povos.

Não há testemunhos de que Boaventura frequentasse terreiros de candomblé, mas é provável que tenha ido pelo menos como visitante. Ele foi sensível às imagens da religiosidade, começando pelas imagens de Cristo, muitas delas intituladas Oxalá, o que tem relação com o sincretismo religioso afro-baiano acentuado na época em que produziu e que pode ser observado em muitas práticas religiosas ainda. Deixou fluir o imaginário religioso, para o qual contribuiu com reelaborações resultantes da sua imaginação em face aos veios da madeira. A sua obra plástica resulta dessas confluências em que se articulam o individual e o social.

Ao longo de sua vida como escultor, além da barbearia e da sua própria casa, teve oficina ou ateliê em diferentes lugares da cidade de Cachoeira: na Praça 25, na Pitanga e no Alecrim (zona rural de Cachoeira). A sua preferência era por lugares tranquilos, o que pode ser constatado: “Trabalho com inspiração e amor. Às vezes me afasto de tudo – vou para o mato, fico lá sozinho, sem zuada, só com o meu radinho e os troncos de madeira, longe da mulher, dos dez filhos, dos fregueses. [...]” (SILVA FILHO, 1976 apud COIMBRA et al, 2010, p.132)

Nos anos 1970 e 1980, o apoio de Aloísio Berto da Silva e esposa foi fundamental para o Louco e descendentes. O casal tocava um bar muito frequentado por artistas e turistas, a Cabana do Pai Thomaz (na Praça 25 de Junho), onde podiam ser adquiridas cerâmicas de Tamba Xavier e esculturas de Louco, filhos e sobrinhos. Nos anos 1980, foi aberta a pousada com o mesmo nome do bar, para a qual “Pai Thomaz” encomendou aos escultores da família de Louco grandes painéis e móveis.  (SILVA, 2013) A ascensão artística da família também contou com o incentivo da artista plástica Noelice da Costa Pinto, discípula de Hansen Bahia, e que atuou promovendo a cultura em Cachoeira. (SILVA, 2008; ARAÚJO, 2008).

Já em Salvador, foram os contatos feitos no Mercado Modelo nos anos 1960 que lhe proporcionaram uma inserção no mercado e o contato com artistas. Além de Carlos Teixeira, de quem foi “compadre” e amigo (SANTOS, 2011), estabeleceu aproximação com Jorge Amado, Carybé e outros artistas. Amado o incluiu no livro Bahia de Todos os Santos:

No Mercado, nas galerias, em seu atelier na cidade de Cachoeira, encontram-se as ceias e os Cristos de Louco, o excelente Boaventura que de louco nada tem, mas em troca tem um talento e uma vocação sem limites. Entre os escultores primitivos da Bahia, o primeiro, realmente impressiona (AMADO, 1986, p. 316).

Na Bahia, “arte primitiva” era o termo usado pela crítica baiana dessa época como contrário à “arte erudita”. (VALLADARES, 1960, p. 230) Sabe-se, contudo, que os limites entre essas categorias são fluidos, sobretudo, no século XX, quando tantos movimentos quebraram com padrões estabelecidos.

Louco participou da exposição O Espírito Criador do Povo Brasileiro (1972) coleção Abelardo Rodrigues, em Brasília. Integrou a exposição 7 Brasileiros e seu universo (1974), com curadoria de Clarival do Prado Valladares. No exterior expôs na mostra no Centro Domus, de Milão (1972). Foi um dos escultores escolhidos para representar o Brasil no II Festival de Arte Negra em Dakar (Senegal), com sete trabalhos datados de 1973 encaminhados pela Campanha Nacional de Defesa do Folclore (VALLADARES, 1976, p. 240). Participou da Mostra Brésil, Arts Populaires (1987), no Grand Palais (Paris), com curadoria de Lélia Coelho Frota.

No Museu da Cidade (Salvador), há uma escultura (“Sem Título”) de Louco datada de 1978, na qual se misturam à imagem de Cristo, santos e orixás. Ele participou de exposições permanentes (1980, 1984 e 1994) no Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP, Rio de Janeiro) (MENDONÇA, 2010, p. 10), que conserva várias obras de sua autoria (MENDONÇA, 2010, p.192) e na Galeria Estação em São Paulo (GALERIA).

Uma das preocupações de Boaventura era que seus filhos tivessem um ofício, pois, além de ter uma família numerosa, as oportunidades de mercado de trabalho eram muito limitadas para os jovens da região. Dos onze filhos, sete eram homens. Quatro deles se tornaram escultores (Celestino, Mário, José e João), mas a sua influência também foi grande sobre seus sobrinhos (Bolão, Doidão, Dory, Maluco Filho, Filho de Maluco), além de ter despertado o interesse pela escultura em outros jovens de Cachoeira (Fory e Mimo). Atualmente seus netos Leonardo (Léo) e Wallace (Téo), representam a terceira geração de escultores da família.

Foi considerado formador de uma “escola” por diversos autores (COIMBRA et al., 2010, p. 133, LODY; MELLO E SOUZA, 1988, p. 132) e de uma tradição por seus filhos e sobrinhos. Segundo Giulio Carlo Argan:

O conceito de “escola” implica a concepção do artista como “mestre”: aquele que não só elabora um estilo próprio, mas também transmite as suas características ao círculo de discípulos, dos quais alguns serão meros repetidores e continuadores, outros desenvolverão de maneira original e inovadora o ensinamento recebido, apresentando-se por sua vez como mestre de uma nova escola. A extensão do campo de relações explica a extensão do termo “escola” muito para além do sentido original, isto é, de um círculo de artistas formados pelo mesmo mestre” (ARGAN, 1992, p. 31).

A ideia de escola está muito ligada à noção de estilo. De fato, há uma preocupação por parte de seus descendentes em dar continuidade à sua obra, através de técnicas, temas e processos de criação. Mas também têm as suas preferências e inovam com soluções plásticas que vão sendo absorvidas entre eles. A arte resulta de um processo natural (SILVA, 2013), no qual não há preocupação com a originalidade. À medida que surgem novas situações diante do suporte ou uma ideia nova, podem aparecer novos modelos que vão sendo incorporados à iconografia e repetidos, assim como utilizados pelos diversos escultores da família. Nem sempre é fácil distinguir a autoria, o que sinaliza que é preciso desconstruir conceitos rígidos de arte como produção individual, porque esculpir como o mestre é um dos parâmetros para esses escultores. Por outro lado a colocação da assinatura é parte de um processo de individualização presente desde a projeção de Louco no sistema das artes.

Com problemas de saúde, Boaventura faleceu em 1992, deixando muitos seguidores e obras surpreendentes espalhadas pelo Brasil e pelo exterior.

Mostras individuais:

1972  –  Recife, PE – O Espírito Criador do Povo Brasileiro, através da Coleção Abelardo    Rodrigues.

1972  –  Milão, Itália. Mostra Centro Domus.

1974  –  Brasília, Brasil. Sete Brasileiros e seu universo.

1976  –  Cachoeira, BA – Artista Convidado. Exposição de Artes Plásticas. I Festival de Inverno de Cachoeira. Galeria Amanda Costa Pinto.

1977  –  Lagos, Nigéria. Brazilian Exhibition no II World Black and African Festival of Arts and Culture (II FESTAC).

1987  –  Cachoeira, BA – Exposição em Homenagem a Tamba e Bolão, no SPHAN.

1987  –  Paris, França – Exposição Brésil, Arts Populairs, no Grand Palais.

1988  –  Salvador, BA – Exposição Influência da Cultura Africana nas Artes Visuais, no MAB/MAMB.

1991  –  São Félix, BA – I Bienal do Recôncavo, na Fundação Dannemann.

1992  –  Rio de Janeiro, RJ – Viva o Povo Brasileiro – Artesanato e Arte Popular, no Museu de Arte Moderna.

Participações póstumas em Salões, Bienais e coletivas:

1993  –  Salvador, BA – Exposição In Memoriam do Escultor Boaventura da Silva Filho – o    “Louco”, no Museu Afro-Brasileiro. (Organização: CEAO-UFBA e AAACC).

2008  –  Piracicaba, SP – Sala Especial da 9ª Bienal Naïfs do Brasil, no SESC Piracicaba.

2009  –  Salvador, BA – “Cidade Histórica, uma Cachoeira de emoções”, no Instituto Mauá, no Pelourinho.

2010 – São Paulo, SP – Coleção Domingos Giobbi: arte, uma relação afetiva (São Paulo, SP), na Estação Pinacoteca (São Paulo, SP).

2011 –  Recife, PE – “Boaventuranças: um elogio da loucura”, na galeria do Sesc Casa Amarela.

2012  –  Cachoeira, BA – Artista Homenageado (In Memoriam). Exposição Coletiva Escultores de Cachoeira, no Espaço Cultural Fundação Hansen Bahia.

 

 

 

 

 

Referências
Autoria

Autores(as) do verbete:

Suzane Pinho Pêpe

D536

Dicionário Manuel Querino de arte na Bahia / Org. Luiz Alberto Ribeiro Freire, Maria Hermínia Oliveira Hernandez. – Salvador: EBA-UFBA, CAHL-UFRB, 2014.

Acesso através de http: www.dicionario.belasartes.ufba.br
ISBN 978-85-8292-018-3

1. Artes – dicionário. 2. Manuel Querino. I. Freire, Luiz Alberto Ribeiro. II. Hernandez, Maria Hermínia Olivera. III. Universidade Federal da Bahia. III. Título

CDU 7.046.3(038)

 

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3 Responses to “Boaventura da Silva Filho, (O) Louco”

  1. Sérgio Brasilio Tambellini

    Fiquei sabendo que um dos filhos de “Louco” está tentando catalogar o seu acervo.
    Eu possuo uma escultura que tem cerca de 80cm de altura por 50cm de largura.
    Vou conta a história.

    Na década de 60 deparei com uma escultura no Mercado em Salvador BA, fiquei de boca aberta e a adquiri. É uma escultura espetacular. Uma raiz de jacarandá, madeira escura, em que a figura está invertida, pois as pontas da raiz estão voltadas para cima e se abrem representando que são as mechas de cabelo altas, enquanto o rosto está acima do oco da madeira e neste tem uma protuberância dando a ideia de um órgão masculino em ereção. Tem aspecto muito original. Aparenta algum orixá. É super impressionante e convida a pessoa ficar admirando em seus diversos ângulos. Dá impressão de ser assustadora e mística. A parte de trás é reta e o artesão colocou uma chapa com furo para a sua colocação pendurada em uma parede. ESTÁ ASSINADA: LOUCO. Na ocasião o vendedor que tinha uma banca no Mercado me apresentou o autor. Conversamos. Ele se identificou pela alcunha Louco. Ao saber que eu era de São Paulo me pediu que eu lhe mandasse pelo correio peças metálicas de entalhar tamanho pequeno,tipo cunhas, redondas, retas, triangulares, ponteiros, vazadas, etc., para trabalhar madeira.
    Eu lhe remeti pelo correio, mas não sei se as recebeu, pois nunca tivemos novo contato. Mantenho esta obra de arte que muito admiro. Se me mandar um email posso responder com fotos. Abraço, Sérgio.

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  2. Antonio Carlos d Silva

    Tenho , gracas aos p oderos ios nossos irmaos baianos , uma peca (Oxala) 80cm alt. 20 larg 10 d espessura em jacaranda , assinada p MALUCO CCS..Maravilhoso.Lindo e Imponente.!!! Abcs a familia querida.!

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